28.12-inaugurac3a7c3a3o-central-de-flagrantes-1A decisão da Governadora Fátima Bezerra de adiar a realização de um concurso público para a Polícia Civil pode provocar uma crise na estrutura da instituição. “Se não houver uma política de concursos públicos a Polícia Civil vai fechar as portas e vai morrer por inanição”, declarou o diretor da Associação dos Delegados (Adepol-RN), Cláudio Henrique Freitas de Oliveira.

Titular da Delegacia de Furtos e Roubos (DEFUR), Cláudio Henrique Freitas de Oliveira disse que a decisão da Governadora provocou decepção na categoria. A Associação dos Delegados publicou nota à imprensa nesta quarta-feira, 3. A insatisfação dos delegados é geral na categoria, explicou. Uma reunião que estava marcada para acontecer nesta quinta-feira entre o Governo e a Associação foi adiada para data e horário não aprazados.

O diretor da Adepol disse que a entidade enviou um ofício ao Governo cobrando a realização do concurso mas o anúncio do adiamento surpreendeu a todos porque desde 2015 o procedimento para sua realização está parado. “Fiquei surpreso com a declaração da Governadora”, afirmou.

Essa decisão da Governadora, frisou, causou estranheza porque no mesmo momento ela anunciou a realização de um concurso para contratação de mil policiais militares e 120 agentes penitenciários. “Não temos como não nos sentir preteridos com essa afirmação”. E o concurso da Polícia Civil vai fazer quando?, indagou.

Um concurso para a Polícia Civil com urgência é uma questão de sobrevivência, relatou o delegado, expressando a decepção em números. De acordo com ele, o déficit de pessoal hoje é o maior da história. Somente 26,13% das vagas estão ocupadas. O déficit é de 73,13%. A instituição tem atualmente 1.035 agentes para cobrir a demanda em todos os 167 municípios do Estado. É o número bruto porque na atividade fim, trabalho operacional, são cerca de 800 policiais, sendo que mais de 200 estão de licença, afastados ou cedidos a outros órgãos.

O efetivo é somado com 163 delegados e 186 escrivães. Há delegados em vacância e, por isso, o cargo fica ocupado apesar de a pessoa estar em algum tipo de afastamento, o que dá 147 delegados na atividade fim. Isso não dá nem para cobrir um município como Natal, compara.

Hoje, frisou, 53% dos cargos de delegado estão vagos. Ou seja, são 350 cargos vagos e só 163 ocupados. No caso dos escrivães, são 76,75% (800) dos cargos vagos e só tem 186 ocupados.

A situação também é crítica com relação aos agentes que fazem o serviço de diligências e investigação. São 74,13% cargos vagos. Atualmente, o Estado tem 1.800 cargos ocupados para um déficit de 4 mil.

FONTE: Tribuna do Norte