‘Bancada da bala’, antes sem senadores, agora conquista 18 vagas para 2019

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flavio-bolsonaro-foto-tania-regoagencia-brasil-1537909556605_v2_615x300A chamada “bancada da bala”, como é conhecida a Frente Parlamentar da Segurança Pública no Congresso Nacional, enviou da Câmara para o Senado 15 integrantes que são deputados federais e elegeram-se senadores nas eleições deste ano. Além deles, pelo menos outros três senadores eleitos que não faziam parte da frente manifestam posições alinhadas com as propostas defendidas pelo grupo e devem engrossar a bancada no Senado.

Todos assumem o mandato em 1º de janeiro de 2019. Na atual legislatura, não há nenhum senador que integra a bancada da bala.

A renovação na Casa foi de 85% das 54 vagas em disputa –outras 27 cadeiras já estão ocupadas e só serão disputadas em 2022–, mas apenas 30% dos eleitos são caras novas no Congresso.

Para Malco Camargos, doutor em ciência política e professor da PUC-MG (Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais), a chegada da “bancada da bala” ao Senado, onde não tinha presença, é um reflexo claro da candidatura de Jair Bolsonaro (PSL) à Presidência da República. “Sem nenhuma dúvida essa bancada foi puxada por ele”, afirma.

Flávio Bolsonaro (PSL), filho do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), é um dos senadores eleitos que devem engrossar a bancada. Elegeu-se com discurso de combate à criminalidade, à corrupção e de apoio aos “valores familiares”. É a primeira eleição dele para o Congresso Nacional. Na campanha eleitoral e na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), onde foi deputado estadual quatro vezes antes de chegar ao Senado, defendeu a ditadura militar, a pena de morte e a diminuição da maioridade penal, entre outros temas caros à bancada.

Major da PM-SP chegou lá

Ele chega à Casa acompanhado por Major Olímpio (PSL), o senador eleito mais votado do estado de São Paulo. Major reformado da Polícia Militar de SP, Olímpio é deputado federal, foi um dos coordenadores da frente parlamentar de segurança pública e vota junto com o grupo nessas questões.

Na Câmara, é membro titular da comissão externa destinada a investigar o “crescente número de agentes de segurança pública mortos em serviço”, do grupo de trabalho que avalia o novo Código Penal Militar, da comissão especial que analisa projeto de lei que institui o Plano Nacional de Enfrentamento ao Homicídio de Jovens e da Comissão Especial que analisa PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que versa sobre as cargas horárias máximas para policiais militares e bombeiros, entre outras.

Entre dezenas de projetos de lei, propôs emenda para pagamento de pensão integral a viúvos, viúvas e órfãos de agentes de segurança mortos em serviço, aumento de pena para roubos mediante uso de arma branca, direito de aposentadoria especial para guardas municipais e agentes penitenciários.

Quando era deputado estadual na Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo), onde ficou por dois mandatos consecutivos de 2006 a 2014, quando se elegeu deputado federal, criou por lá a Frente Parlamentar de Defesa da Segurança Pública.

Durante a campanha eleitoral, defendeu reestruturação da segurança pública, com medidas que visam, entre outras coisas, a unificação das polícias estaduais em um único sistema nacional e mais rigidez nas fronteiras brasileiras.

Além de Olímpio, outros 14 deputados federais da bancada da bala passam ao Senado ano que vem.

“Robocop da Lei Seca”

Dentre os que não faziam parte do Congresso Nacional, devem juntar-se à bancada da bala no Senado candidatos eleitos ligados à área da Segurança Pública.

O Delegado Alessandro Vieira (Rede) disputou uma eleição pela primeira vez e foi o senador eleito mais votado do Sergipe. Policial Civil de carreira, elegeu-se defendendo o combate à corrupção, a reforma política e da administração pública, a mudança no Código Penal, a liberação do porte de armas de fogo e a reforma no Estatuto da Criança e do Adolescente –para menores que cometem delitos graves como homicídio e latrocínio ficarem detidos em instituições especiais por até 12 em vez de três anos. Ele é contra a redução da maioridade penal.

Outro senador eleito pela Rede que vem da área de segurança pública e possui um alinhamento natural com as pautas da bancada da bala é o Capitão Styvenson. Capitão da PM em Natal, Styvenson ficou famoso em reportagens de TV e jornais do estado por sua postura de “tolerância zero” durante as blitze da Lei Seca na capital do Rio Grande do Norte. A fama lhe valeu o apelido de “Robocop da Lei Seca”.

Ele apreendeu a carteira de habilitação do ex-ministro Henrique Eduardo Alves em uma destas ocasiões e chegou a dar voz de prisão a um colega da PM que se recusou a fazer o teste do bafômetro –o próprio senador eleito já teve a habilitação apreendida ao se recusar a fazer o teste em uma blitz na cidade, quando parado durante uma folga.

Nunca havia disputado uma eleição, mas desde as primeiras pesquisas de intenção de voto no RN já aparecia em primeiro lugar. Nas redes sociais, publicou um vídeo explicando que escolheu o partido de Marina Silva (Rede) pois lhe garantiram liberdade de atuação caso eleito. Ele tem três bandeiras: segurança pública, educação e reforma política. Também se diz cumpridor das leis e combatente da corrupção.

“Vários candidatos da área de segurança pública naturalmente tentaram se associar a Bolsonaro. Durante toda a campanha, a estratégia não surtiu efeitos. Apenas na última semana, quando o Bolsonaro começou a pedir votos para os candidatos na sua esfera de influência, algumas destas candidaturas deslancharam. Foi um feito impressionante”, afirma o professor Malco Camargos.

“Os senadores da seara da segurança vão ser muito cobrados por seus eleitores, que querem respostas rápidas para problema urgentes. Sozinho, a capacidade do Senado de responder a essas demandas de maneira rápida é reduzida e pode haver grande frustração”, completa.

FONTE: UOL

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