“200 PM’ pediram reserva este ano”, diz Comandante

Postado em Atualizado em

Por Tribuna do Norte

img000000000136779Sobrevivendo à custa de convênios e amargando quedas anuais no orçamento, a
Polícia Militar do Rio Grande do Norte tem um novo problema: o aumento no
número de pedidos de aposentadoria. Este ano, em menos de seis meses, pelo
menos 200 soldados pediram para entrar na reserva, com receio de perder
direitos em decorrência da Reforma da Previdência Social pleiteada pelo Governo
Federal e Estadual. Com aproximadamente 13 mil cargos criados em lei, mas com
menos 8.200 efetivamente ocupados, faltam policiais nas ruas.

Não bastasse o problema com o baixo efetivo, considerado o pior pela
Corporação, a Polícia Militar do Rio Grande do Norte acumula dívidas. Somente
com o fornecedor de munições, o débito gira em torno de R$ 700 mil. Se não
fosse um acordo e a promessa de quitação da dívida, a Corporação não estaria
recebendo cartuchos para distribuir aos policiais militares em serviço. Com
problemas nos contratos com fornecedores de mão de obra e peças para
manutenção das viaturas, moradores da capital precisaram fazer rifas para que a viatura de um bairro da zona Sul não ficasse parada.

Na entrevista abaixo, o comandante-geral da PM, coronel André Azevedo, faz um
balanço dos seus seis meses de gestão. Amenizando polêmicas, diz estar à
disposição do governador Robinson Faria e que não pensa entregar o cargo, caso
a atitude não seja um desejo do chefe do Executivo. Acompanhe abaixo.

Qual análise o senhor faz da PMRN hoje?

Eu assumi em dezembro (de 2016) e encontrei um quadro caótico. Contratos de
manutenção de veículos cancelados por falta de pagamento. Inclusive, surgiu nas
redes sociais a história de uma rifa e teria sido para consertar um veículo da PM.
Realmente, ocorreu isso. Se deu há uns sete meses, quando o veículo quebrou e
não se tinha como consertar pela via normal aqui dos contratos de manutenção
que estavam cancelados e a comunidade, através de um processo de interação
que é muito comum onde existe esse policiamento comunitário, resolveu
consertar a viatura. Mandou a viatura para uma oficina escolhida por eles, fez o
conserto e parece que não se pagou completamente. Agora, o carro apresentou
problema e como se voltou à oficina, constatou-se o débito e fez-se a rifa para
pagar.

Falta dinheiro na PMRN?

O Governo vem investindo em diversas aéreas. Na Polícia Militar, atualizamos os contratos que estavam cancelados por falta de pagamento. Existe uma dívida da
Polícia Militar com a Companhia Brasileira de Cartuchos, a única fornecedora de
cartuchos, de aproximadamente R$ 700 mil de anos anteriores. Por conta dessa
dívida, a CBC se negou a vender à Polícia Militar. Nós parcelamos a dívida e
iniciamos os pagamentos das primeiras parcelas e, com isso, voltamos a adquirir
munições. Compramos, este ano, 270 mil cartuchos para treinamentos. A maior
compra em toda a história da Polícia Militar, o que permitirá que cada policial
realize 50 tiros de treinamento. Fazemos o treino teórico, mas não temos os
insumos para fazer a parte prática. Esse é um dos fatores que poderia ter
contribuído para que a reação de um policial quando se vê vítima de um assalto,
não tivesse sido adequada. Por parte da Polícia Civil, nós identificamos que
houve vários investimentos, como a construção da Central de Delegacias
Especializadas, a Central de Flagrantes, uma série de outras coisas. A própria
DHPP, que melhorou o indicador de resolutividade em crimes de homicídio. É
uma força tarefa que o Governo do Estado está realizando nos problemas.

Qual o maior problema da PMRN?

O nosso grande problema, poderíamos dizer, é a escassez de recursos humanos.
O que mais nos afeta. Apesar da crise vivida no sistema prisional, que não foi só
em Alcaçuz, pois reverberou em dezenas de unidades em todo o estado, os
ataques nas ruas que ocorreram, a Operação Potiguar II foi uma série de crise
que vivemos nesses seis meses que estou à frente do Comando. Mas, não
obstante tudo isso, não obstante também a ameaça da Reforma Previdenciária
estadual, quando o Governo do Estado enviou à Assembleia uma mensagem
propondo, de maneira unificada, a reformulação da questão da Previdência Social
do Estado, que afetaria de maneira determinante os policiais militares. Houve
uma enxurrada de pedidos de reserva.

Quantos pedidos?

Batemos o recorde nesses primeiros meses do ano: mais de 200 policiais foram
para a reserva. A média anual é de 120, no máximo 150. Tudo isso afetou. Mas,
esses investimentos que estão recuperando a capacidade operativa da PM, aliado
a convênios com o Tribunal de Justiça, com o Ministério Público, agora estamos
celebrando um convênio com a Fiern, com a própria Assembleia Legislativa.
Vamos conveniar no valor de R$ 5 milhões para construir centrais de
monitoramento através de câmeras de alta resolução no interior, em 40 municípios. É um projeto grandioso e não existe paralelo em outros estados. Esse
projeto ultrapassa a cifra dos R$ 10 milhões, sendo metade da Assembleia
Legislativa e metade do Tribunal de Justiça. São medidas que estamos adotando
para melhorar a capacidade operativa da Polícia Militar. Estamos comprando
fuzis, já compramos pistolas, já recebemos munições de alta especificidade para
ser usada pelo Bope, pelo Choque e Rocam, munição especial de maior poder de
impacto, recebemos 27 mil cartuchos. Recebemos, agora de doação, mais cinco
mil cartuchos de doação da Polícia Rodoviária Federal. Estamos fazendo mais
com menos.

Como isso é possível?

Porque estamos com menos policiais nas ruas. Aumentamos o nosso poder de
apreensão de armas de fogo. Este ano já prendemos mais de duas mil pessoas no
estado. Dos veículos furtados e roubados no ano passado, a Polícia Militar
recuperou 80%. São números impressionantes, apesar de toda essa crise. A nossa
escola de formação está há anos sem investimentos e em duas salas o teto
desabou. Hoje tem esgoto dentro da cozinha. Onde iremos formar os 600
homens do concurso? Aonde? É o que eu digo: talvez o governador esteja vivendo
a tempestade ideal. A maré é contra, o vento é contra, mas o timoneiro se
mantem firme, o governador se mantem firme como líder, como gestor. E, apesar
de todos os problemas, nas baixa a cabeça. É um exemplo de liderança que puxa
toda a equipe. É isso. Estamos fazendo mais com menos.

A PMRN é preterida, do seu ponto de vista? O Estado é omisso na questão
dos investimentos na Corporação?

A PM é a maior instituição do sistema de Segurança Pública do RN. Os exercícios
financeiros de 2015, 2016 e 2017 tiveram os recursos destinados a custeio
diminuídos. Em 2015, era R$ 35 milhões. Em 2016, caiu para R$ 25 milhões. E, em
2017, caiu para R$ 24 milhões. Eu não sei as demais instituições. Mas, na nossa,
isso tem trazido uma série de problemas. Estamos sem adquirir uniformes para
os policiais militares, não temos como fazer manutenção predial das nossas
instalações. Há locais, onde o prédio está caindo, como em Angicos. Lá em Poço
Branco, os policiais tomam banho de cuia, porque não há local adequado para o
trabalho. Estamos fazendo remanejamento de efetivo. Encontramos municípios
com um policial e outro vizinho, com a mesma quantidade de habitantes, com 12.
Encontramos viaturas paradas em alguns deles. Tudo isso estamos fazendo, nesses seis meses, apesar de toda a crise. Eu estou falando a verdade.

O senhor fez críticas à Polícia Civil, à Delegada Sheila Freitas…

Eu diria que não fiz críticas, eu fiz elogios ao Estado por investir na Polícia Civil
que é uma instituição imprescindível. As Polícia Civil e Militar são indispensáveis.
Eu não fiz críticas por o Governo ter investido. Eu parabenizei, eu elogiei essa
decisão. Mas, também, eu estou chamando atenção agora, de que existe uma
grande Polícia de 8.200 homens que precisa ter também essa atenção. O que eu
falei foi para sensibilizar a Delegada Sheila Freitas para que olhasse a Polícia
Militar porque é difícil mudar a Segurança Pública sem modificar essa realidade
da Polícia Militar, que é o maior órgão que carrega a Segurança Pública.

As 600 vagas anunciadas pela Sesed irão reforçar efetivo ou apenas
preencher lacunas?

O ideal seria 600 novos policiais por ano. O último concurso foi em 2005. O ideal
seria formar, por ano, 600 policiais. Estaríamos como nossa capacidade plena de
formação. Quando se faz grandes turmas, essa turma vai, quando der o tempo,
toda para a reserva. Se o Estado mantiver 600 policiais por ano, daqui a cinco
anos teremos nossa capacidade plena de trabalho.

O senhor colocou o cargo à disposição?

Jamais coloquei o cargo à disposição. Ficarei até o último segundo que o
governador desejar que eu fique. Estou aqui enquanto o governador achar que
sou útil. Quando não, irei trabalhar em outra função na Polícia Militar. Estarei
aqui, no mínimo, até fevereiro de 2018.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s