O “bico” dos policiais na visão de um Promotor de Justiça

Postado em Atualizado em

Por Sd Glaucia

O caso recente da morte de um policial militar, Cabo Osmar, trouxe à tona a discussão sobre o trabalho extra dos policiais, os chamados “bicos”.

Em um Estado Democrático de Direito toda discussão é válida para solucionar problemas crônicos de uma categoria, principalmente no que tange à segurança pública.

O Promotor de Justiça do Rio Grande do Norte Wendell Bethoven, em um artigo publicado em um jornal local, citou algumas das causas que levam o policial a realizar um trabalho extra-PM. Cito-as abaixo:

  • Confusão entre segurança pública e privada;
  • Baixa remuneração;
  • Jornada de trabalho dos policiais militares.

No entanto, o promotor comete uma gafe ao tratar da jornada de trabalho como um dos fatores provocadores da atividade extra. 

“os prolongados períodos de folga, normalmente alternando 24 horas de serviço ininterrupto por 3 dias de folga, facilitam o ‘bico’ (…) não é de se esperar que um homem sadio, com pleno vigor físico, permaneça três dias em casa sem fazer nada ou, no máximo, se dedicando às atividades domésticas!”

Wendell Bethoven, Promotor de Justiça

A visão do Promotor Wendell Bethoven, contudo, é compartilhada por muitas pessoas alheias à realidade da jornada de trabalho dos policiais militares. Algumas pessoas afirmam que as escalas de serviço da PM são maravilhosas, já que o policial trabalha “apenas” oito ou dez dias a cada mês.

Todavia, esquecem de calcular a verdadeira carga horária a que esses profissionais são submetidos. Enquanto um funcionário civil trabalha 160 horas/mês, um policial militar pode chegar a trabalhar 240 horas/mês. Soma-se a isso, o fato da atividade policial ser uma das mais estressantes profissões da atualidade.

O descanso com certeza é merecido, já que o PM trabalha 50% a mais do que qualquer funcionário civil. E mais: enganam-se quando pensam que o policial, quando de folga, permanecem no ócio em suas residências. Muitos deles se dedicam aos estudos. Mais da metade do efetivo policial militar do Estado, possuem nível superior ou estão se formando em algum curso de graduação.

No mais, lembro que o policial militar também é um cidadão e merecem usufruir de todos os direitos sociais previstos na Constituição Federal, como o lazer, a educação e a saúde.

15 comentários em “O “bico” dos policiais na visão de um Promotor de Justiça

    Neriberg disse:
    julho 11, 2017 às 11:10

    Discriminação*

    Eu disse:
    maio 26, 2012 às 2:10

    Promotores na verdade trabalham em geral cerca de 4 horas por dia. Chegam no gabinete as 13h e as 17h estao cascando. Da mesma forma, juizes. Os juizes tem 2 meses de ferias por ano. Os promotores estao lutando para ter o mesmo direito. O que eles mais gostam é de folga.

    sd zenildo disse:
    setembro 26, 2011 às 9:22

    esse promotor,fala de desvio de função mas ele não lembra que em qualquer mp tem os pracinhas fazendo sua segurança né bethoven.mas isso não é desvio de fumção,não sei porque esse nome não mi é estranho BETHOVEN

    A Verdade disse:
    setembro 24, 2011 às 14:25

    Notícias
    Boa tarde cara Glaucia… não sei se você ou algum colega leu esse brilhante comentário feito por um brilhante policial quem não leu pode ler aqui ou no site da ACS que leu leia de novo.
    VALE A PENA!!! LEIA TAMBÉM bethovem PRA VER SE VOCÊ APRENDE ALGUMA COISA.

    Por CB Marcos Teixeira: O DIA EM QUE BETHOVEN DESAFINOU
    Recentemente uma declaração bastante inoportuna gerou um enorme blá-blá-blá no interior da tropa policial militar do nosso estado, falo de um comentário de um certo Wendel Bethoven, promotor de justiça, sobre folga dos policiais e respectivamente a prática dos serviços extras, denominados “bicos”. Ao que disse o magistrado: “ os prolongados períodos de folga geralmente alternando-se em 24h de serviço por 72h de folga. Não há de se conceber que um homem sadio e em pleno vigor físico permaneça tanto tempo no ócio”.

    O mesmo promotor ainda atribuiu a três fatores a facilitação do “bico”, mais uma vez sem propriedade e numa concepção simplista, típica de um leigo no assunto, então vejamos:
    Confusão entre segurança pública e privada;
    Baixa remuneração;
    E jornada de trabalho dos policiais . ( Que para ele é folgada).

    Vamos fazer uma rápida análise, ponto a ponto da visão estreita do promotor. Na verdade não existe confusão alguma entre as duas modalidades de segurança (pública e privada) estas na verdade se complementam, existe sim, uma demanda muito grande em função da omissão do estado em oferecer segurança pública de qualidade, fato esse que não é percebido pelo ministério público, do qual faz parte o nobre magistrado, cuja atividade fim, seria cobrar do estado o direito constitucional do cidadão a esse serviço essencial.

    Quanto à baixa remuneração, podemos até encontrar fios de razão, porém não é fator determinante, uma vez que, o número de policiais envolvidos nesses serviços é mínimo se comparado ao efetivo total da policia militar. E mais, se confrontarmos esse dado, com dados do próprio ministério público, perceberemos que os magistrados do Rio grande do Norte ( leia-se juízes, promotores, desembargadores, procuradores) apesar de terem um salário exorbitante, vivem fazendo “bicos” em quase todas as universidades e faculdades e até em cursinhos, como professores, diga-se de passagem, alguns atribuindo valor secundário a atividade acadêmica e dando aulas de péssima qualidade.

    Já referente à jornada de trabalho e conseqüentemente a folga do policial, ai sim, é que o magistrado demonstra desconhecer a realidade, pois todo aquele que trabalha em jornada de 24h ininterrupta, tem garantido por lei a folga de 72h, o que nunca ocorreu na policia militar, que só permite a folga de 48h, sendo a de 72h um fato recente e ainda pontual dentro da corporação. Um representante do MP folga muito mais, pois enquanto trabalhamos três dias em um, eles trabalham apenas ¼ de dia em um, já que a sua jornada é de 6h diárias. Assim em um dia trabalhado, o policial militar responde por quatro dias de um promotor.

    Quando ele se refere ao completo vigor físico e mental do policial, que segundo o mesmo vive do ócio, engana-se mais uma vez, pois o policial militar é a categoria profissional que mais é vitimada por problemas psicológicos, psiquiátricos, problemas de stress motivado pelas jornadas sobre-humanas a que é submetido, as pressões do serviço diário na mediação de conflitos e nas derrotas constantes em sua atividade fim, do abuso da hierarquia e das constantes injustiças advindas da própria justiça, do stress característico de quem vive na linha tênue do medo, sem o direito de errar. Raramente um policial vai para a reserva, após trinta anos de serviço com a saúde inabalada.

    A essa altura, se leu os comentários e a repercussão de suas declarações o promotor já deve ter mudado de opinião, mesmo assim, nos preocupa esta visão, que esperamos não seja de todo o corpo do ministério público do RN, afinal, são eles os fiscais atentos da atuação de poder do estado sobre os cidadãos, que também o somos.
    Pra te ser sincero nem sei por qual razão ainda me dispus a comentar tamanha sandice, pois esse é o tipo do comentário que não merece comentário…
    A propósito, o outro Bethoven era surdo ou cego?

    Marcos Teixeira
    É sociólogo e acadêmico de direito da UERN. Atualmente diretor de comunicação da ACSPMRN.

    sd Tiririca disse:
    setembro 24, 2011 às 3:18

    ESSE TAL (promotor de nada) de nada entende. São pesoas infelizes que acham que estão acima de tudo. se enxergue você jamais deve falar do que não conhece (cuidado!!! você querendo ser tão sábio na nossa frente… atrás de você pode ter um burro (estude,pesquise pense antes de falar M….)

    Ângelo Júnior disse:
    setembro 19, 2011 às 18:18

    o que está errado e a exaustiva jornada de emprego policial, em 24 horas, esta jornada é contraproducente, pois um ser humano, segundo estudos ligados a área, não deve trabalhar as 24 horas contínuas. Não interessa se após esta jornada, o policial militar folgue 2, 3, 4, 5 e etc. O ideal é que o Policial Militar trabalhe 40 horas semanais, divididas equanimamente, aos dias da semana. por outro lado, o PM estando de folga pode conciliar o seu tempo para exercer legalmente uma atividade extra remunerada. Na monografia, apresentada no CAO/2000, realizada pelo Maj Tavares, cujo tema tem haver com o que estamos opinando, os estudos apontaram que embora os policiais militares, entrevistados, fossem contra as 24 horas de serviço, preferiam assim, pois tinham mais tempo, já devidamente, agendado para o exercício do “BICO”. Bem os tempos mudaram, e também as pessoas, já empregamos por turno e em breve, 40 horas semanais.

    Ferreira disse:
    setembro 16, 2011 às 10:31

    Estou estupefato com um comentário de um promotor desse. Isso mostra o quão somos desrespeitados pela sociedade.
    Ser um Policial Militar é muito mais difícil do que qualquer outra polícia. Desse ângulo de visão só vêem quem usa o uniforme da PM, isto é, o Policial Militar é aquele que esta em contato com a classe menos favorecida em todos os aspectos. Portanto, ser um Policial Militar, é crer que, essa pessoa tem uma inteligência acima da média e muita coragem.

    Neriberg disse:
    setembro 15, 2011 às 19:27

    Ao comentário do ” Emerson” Parabéns pelo brilhantismo do pensamento!

    Neriberg disse:
    setembro 15, 2011 às 19:19

    Além da exaustiva carga horária, das diversas modalidades de patrulhamento como, Motopatrulhamento,Cavalaria,Canil e PPO, onde o policial tem que trabalhar de forma onde sua coluna sofre uma sobrecarga durante todo o seu serviço, ainda tem que permanecer além de sua jornada de trabalho quando em flagrantes em horários próximos ao termino do serviço, chegando a ficar em delegacias por horas além de sua jornada normal de trabalho, diga se passagem, não sendo compensado, nem com a devida restituição de horas, nem com pagamentos de horas extras. E quando se fala em 2 dias de folga, me vem a lembraça das inúmeras vezes que tive que me deslocar aos tribunais de nosso Estado a fim de servir de testemunha em todos os processos dos quais me vi como condutor. Manhãs e tardes inteiras sem serem contabilizadas como horas extras nem com desconto de horários no dias de trabalho.
    Chego ainda a lembrar de eventos onde participei por varias horas a mais sem ser recompensado de forma alguma.
    Então venho por fim dizer que: Pra se falar sobre policia,é preciso sair de traz de uma mesa, sair do conforto do ar condicionado e de seus altos salários e descer até o nível do profissional que tem que acordar de madrugada, se equipar, sair de casa e voltar se Deus assim o permitir. Falar sobre o Por que dos PMs e PCs fazerem “Bicos”, que nada mais são do que serviços honestos, é meramente discriminatório. Se alguém trabalha é porque necessita de dinheiro. Se o trabalho é honesto e não prejudica seus horários de serviço policial, não deve ser visto com tanta descriminação como alguns intelectuais os vêem.
    Pra fazer alguém feliz antes, é preciso se sentir feliz.
    Pra transmitir segurança a alguém, é preciso se sentir seguro.
    Pra se ser bom em alguma coisa, é preciso treinar muito.
    Pra ser honesto, é preciso carater.
    E pra ser sincero… Enquanto a justiça não tirar a venda dos olhos e enxergar a realidade… Muitos ainda perderão a vida em combate.
    Neriberg

    cosme disse:
    setembro 15, 2011 às 18:15

    Homem vamos procurar saber se esse cidadão levou chifre de algum PM porque só dessa razão pra tanta raiva da PM, vai ser jegue assim na casa de chico, é de raça mesmo.

    Gladiador disse:
    setembro 15, 2011 às 11:11

    Depreende-se de um comentário, infeliz, mesquinho e ignorante que este promotor quer que folguemos DOIS DIAS, UM DIA OU QUEM SABE que não FOLGUEMOS. É uma lástima termos que contribuir com o salário de pessoas que têm um pensamento desse.

    Gladiador disse:
    setembro 15, 2011 às 10:56

    Esse é o grande incentivo que nós políciais, principalmente, os praças que estão nos batalhões de área têm todos os dias. Não adianta termos raiva de uma pessoa como essa. Basta que apliquemos a lei como ela é, desta forma nos respeitarão. É claro que para que ela seja aplicada, não pode haver interferência dos o… dando um jeitinho quande se trata de jente grande.

    renam disse:
    setembro 14, 2011 às 23:45

    o problema que este promotor tem algum problema com pm, ele sentado na sua sala onde vem tudo pra justiça, trab 6 horas por dia ganham mais de 10 mil reais,tem varias mordomias. é isto, como a sociedade nos veem como um bando de desocupados . a policia esta num processo de desvaloriçao so as pessoas mais antigas tem o respeito com algum policial seja civil ou militar .hj vc nao pode toca em um bandido que um promotor já que lhe fuder e colocar como tortura. se fizer hj uma pesquisar na pm rn verao que na sua grande maioria tem graduados, ciencias biologicas, geografia, engenharia, advogados. arquiteto. engenheiro petroquimico varios estao buscando novos sonhos, pois, a pm depois que vc entrar so tem desilusoes e puniçoes.

    Emerson disse:
    setembro 14, 2011 às 23:15

    Vossa Excelência, o Promotor de Justiça, foi deveras infeliz em seu comentário pejorativo e superficial. Fruto do desconhecimento da realidade do efetivo da polícia militar do RN, a referida autoridade indiretamente, mas de maneira bem clara, aduz que o policial militar deveria trabalhar mais, consequentemente ter menos folga, só para não se envolver com os chamados bicos. É querer sanar um vício com uma falha maior ainda. Vossa Excelência não faz idéia do que é trabalhar 24 horas ininterruptas, sob forte pressão psicológica e exaustão física, para garantir aos populares integridade física e guarda do patrimônio, populares que por vezes, num ato de ingratidão, apedrejam a polícia, seus próprios protetores, com injúrias e discriminação. Ademais, na folga muitos dos policiais dedicam seu tempo à faculdade, família, atividades domésticas, atividades físicas e serviços oficiais extras. O que se faz necessário é a adoção de um plano de carreira e salário que beneficie o policial militar e lhe garanta uma condição mais digna e decente de vida, sem que, para pagar escola, alimentação, plano de saúde, dentre outras despesas domésticas, o profissional tenha que se submeter aos serviços extraoficiais. A falha é da gestão. Que se faça algo efetivo nesse sentido ao invés de se pôr a falar acerca do que não se conhece.

    disse:
    setembro 14, 2011 às 22:51

    Apartir de agora vou estudar p/ um concurso do MP p/ passar o dia com o “rabo” sentado em um gabinete bem acolhedor falando mal de quem realmente dá o sangue em defesa de uma sociedade hipócrita e corrupta como essa nossa que temos que defender.

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