Os abusos policiais são “quase crônicos” no Brasil, um país que vive “muitos anos de violência, corrupção e atrocidades cometidos com impunidade”, sustentou nesta segunda-feira o diretor da Human Rights Watch para as Américas, José Miguel Vivanco.

O grupo, que divulgou seu relatório anual sobre a situação dos direitos humanos no mundo, assinalou que “apesar do Brasil ter se consolidado como uma das democracias mais influentes em temas regionais e mundiais dos últimos anos, ainda existe grandes desafios em matéria de direitos humanos”.

Vivanco disse nesta segunda-feira em entrevista coletiva que os abusos cometidos pela Polícia brasileira são mais graves no estado do Rio de Janeiro e em São Paulo.

“No estado do Rio de Janeiro, com uma população de 22 milhões de pessoas, morrem cada ano em choques com a Polícia três vezes mais pessoas que nos Estados Unidos, que tem uma população de mais de 300 milhões de pessoas”, acrescentou.

“Os números são alarmantes”, disse Vivanco, e acrescentou que “alguns casos podem ser de legítima defesa, mas muitos outros são execuções extrajudiciais”.

O ativista reconheceu que o Brasil sofre, da mesma forma que outros países da região, um problema real em matéria de segurança pública.

“Mas, frente a este fenômeno, não se investe em segurança, e se trabalha com Policiais infiltrados pelo tráfico de drogas, e que atuam, como no caso do Rio de Janeiro, com impunidade e com grande violência”, acrescentou.

“Confiamos que o Governo da presidente Dilma Rousseff intervenha de maneira positiva para melhorar a segurança sem que se violem os direitos humanos”, disse Vivanco.

Segundo o diretor regional da Human Rights Watch, nos oito anos de Governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva as preocupações pelos direitos humanos passaram a um plano secundário na política externa do Brasil, mais focado na promoção de outros interesses nacionais.

“Esperamos que o Brasil se transforme em um aliado na defesa dos direitos humanos no âmbito internacional”, acrescentou.

O Human Rights Watch também lembrou que o Brasil nunca julgou os responsáveis das atrocidades cometidas durante o período de ditadura militar (1964-1985).

“Em 2010, o Governo federal apresentou um projeto de lei pelo qual se cria uma comissão nacional da verdade destinada a investigar os abusos cometidos durante a ditadura”, indicou o relatório, que acrescenta que “no entanto, o documento ainda não tinha sido aprovado no Congresso”.

Vivanco afirmou que “Brasil é, na região, o país que menos fez para estabelecer alguma forma de justiça pelas violações dos direitos humanos cometidas durante o regime militar”.

FONTE: DN online